Publicados em dezembro, 2009

Entrevista

- Onde você vai?
- Para uma entrevista.
- Vestido assim?!
- Claro que não, vou colocar uma camisa mais “soci”. E aí como ficou?
- Eles não analisam o quesito moda não, né?
- Acho que não.
- Então você vai arrasar…

O doce

O percebi assim que cheguei. Vi por entre os cantos dos olhos um escudo que insistia em entregar-lhe a quem quisesse provar. Mas pisem em suas intenções, pois, ao que lhe cabia, era calmo e leve, sem intenção de se mostrar.

Era perceptível as ousadas marcas das sombras tímidas. Desci esquiando cada traço da topografia umidamente adocicada, de escorrer salivas, de forma lenta e turbulenta. De curvas visivelmente perfeitas à dimensões apropriadas ao consumo. Queria provar aquela calda que já me era palpável. Meus olhos me traíram, saltaram do meu corpo e levianamente caíram naquele abismo de prazer implacável.

A tortura era inegável, a postura eu tenho medo até de pensar, mas era certa a aprovação de todos os presentes, embora fosse desapercebido aos olhos viajantes.

Cigarro

- Ei! que horas são, por favor?
- Dez e meia.
- Quer um cigarro?
- Não, obrigado. Não fumo.
- Esse é do bom!
- Ah tá! se é do bom eu aceito!
- Você acabou de dizer que não fuma!
- Você me convenceu!
- Dizendo que é do bom?
- E isso já não é o suficiente?!

Delicados

- Amorzinho?
- Oii!
- Te amo tanto!
- Você também é tudo para mim…
- Amorzinho?
- Oi, meu favo de mel…
- Você gosta de mim??
- Amo…
- Aiii, você é mes…
- Agora cala a boca!! que começou meu futebol.

Perdeu! Perdeu!

- Perdeu! Perdeu!
- O quê? O quê?
- A bolsa!
- Perdi não, moço, olha ela aqui. Maluco!!!
(!…!)
- Tu entendeu?

O autor

- Ei! é você…
- Depende.
- É você mesmo…
- Cara, depende.
- Depende de quê?
- Com essa arma ai na mão, tudo depende de muita coisa.
- Você não é o cara que escreveu aquele livro?
- Você gostou?!?
- O cara é uma merda, um filho-da-puta! Vou matá-lo…
- Também acho. Muito ruim a literatura dele. Tens meu apoio…
(…)
- Posso ir agora?!

Saia justa

A moça pergunta:
- Quer que eu segure? e o moço responde:
- Por favor.
(…).
Ahh! obrigado…