Estou louco há anos, mas são anos relativos. São longos relativamente à loucura absoluta que me foi dada. Dada por aqueles do outro lado. Tentei dizer que não era louco dizendo que era, e mais louco eu era em tentar convencer que estava louco quando eram eles que queriam fazer de mim um louco. Loucura programada, loucura coletiva, que na coletividade do lado de cá do muro, muro alto, se faz acordar, e o pensar intransponível nos faz prisioneiro da minha loucura auto imposta. Como é belo aqui! Que culpa eu tenho se não posso privar-me de tão belas paisagens que eles afugentam. Eles não sabem. Mas os vermes saberão…
Publicados em março, 2010
Filhos das firmas
Autor: Marcio Pinheiromar 8
João. Acho que esse era o nome dele, se não for deveria ser. A rosto pelo menos é de João. João-ninguém, um ninguém. Não era e não é ninguém para mim, nem para você. Lembro-me bem de ninguém carregando pastas e papeis. Sempre as pressas. Subindo e descendo as escadas aos respiros e pingos. Pensativo, calado e mudo. Afinal quem daria crédito a ele. Você daria? Pois é, isso o faz ninguém, nem mesmo para o dono da pequena “grande” firma de sei lá o quê. Mas ele era e é alguém para alguém. Consegue ver alguma diferença entre ele e você? Sim! Como você acha que o cara da sala ao lado vê você? … João, deve ser esse o nome dele.