Estou louco há anos, mas são anos relativos. São longos relativamente à loucura absoluta que me foi dada. Dada por aqueles do outro lado. Tentei dizer que não era louco dizendo que era, e mais louco eu era em tentar convencer que estava louco quando eram eles que queriam fazer de mim um louco. Loucura programada, loucura coletiva, que na coletividade do lado de cá do muro, muro alto, se faz acordar, e o pensar intransponível nos faz prisioneiro da minha loucura auto imposta. Como é belo aqui! Que culpa eu tenho se não posso privar-me de tão belas paisagens que eles afugentam. Eles não sabem. Mas os vermes saberão…
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Filhos das firmas
Autor: Marcio Pinheiromar 8
João. Acho que esse era o nome dele, se não for deveria ser. A rosto pelo menos é de João. João-ninguém, um ninguém. Não era e não é ninguém para mim, nem para você. Lembro-me bem de ninguém carregando pastas e papeis. Sempre as pressas. Subindo e descendo as escadas aos respiros e pingos. Pensativo, calado e mudo. Afinal quem daria crédito a ele. Você daria? Pois é, isso o faz ninguém, nem mesmo para o dono da pequena “grande” firma de sei lá o quê. Mas ele era e é alguém para alguém. Consegue ver alguma diferença entre ele e você? Sim! Como você acha que o cara da sala ao lado vê você? … João, deve ser esse o nome dele.
O doce
Autor: Marcio Pinheirodez 19
O percebi assim que cheguei. Vi por entre os cantos dos olhos um escudo que insistia em entregar-lhe a quem quisesse provar. Mas pisem em suas intenções, pois, ao que lhe cabia, era calmo e leve, sem intenção de se mostrar.
Era perceptível as ousadas marcas das sombras tímidas. Desci esquiando cada traço da topografia umidamente adocicada, de escorrer salivas, de forma lenta e turbulenta. De curvas visivelmente perfeitas à dimensões apropriadas ao consumo. Queria provar aquela calda que já me era palpável. Meus olhos me traíram, saltaram do meu corpo e levianamente caíram naquele abismo de prazer implacável.
A tortura era inegável, a postura eu tenho medo até de pensar, mas era certa a aprovação de todos os presentes, embora fosse desapercebido aos olhos viajantes.