João. Acho que esse era o nome dele. Se não for, deveria ser. O rosto, pelo menos, é de João. João-ninguém. Um ninguém. Não era e não é ninguém, nem para mim, nem para você, nem para ninguém. Lembro-me bem de ninguém carregando pastas e papéis, folhas e pincéis, celas e tropéis. Sempre às pressas. Nos sobes e desces das escadas sob os sons dos próprios respiros, pingos e azurros. Surdo e mudo, pensativo e ativo, fútil e inútil. Afinal, ninguém daria crédito a ninguém. E isso faz, talvez, ninguém um ninguém, nem mesmo para ninguém que é dono da pequena “grande” firma de sei lá o quê. Ninguém tem perspectiva, ninguém tem saudades, ninguém tem salário, ninguém estertora, ninguém chora, ninguém cora, ninguém ignora… Carlos? Maria? Fábio? Ana? Francisco, talvez. Como que a sala logo ao lado vê você? João. Acho que esse era o nome dele. Se não for, deveria ser…
Filhos das firmas
segunda-feira, março 8, 2010