Venho eu, por minhas verdades, de ser muito sincero e claro com relação às intenções minhas para com a vossa pessoa. Caso assumíssemos, hoje, um estado sério, não seria eu pessoa de sinceridade vil para com vossos sentimentos.

Parto do ponto de que a vida não foi comigo virtuosa, tirando-me o tempo do dia e da noite, não possuindo nem mesmo demasiado espaço vago para dedicar a vosso esplendor todo o valor que dedicarás a mim pelo estado ao qual nós estaremos sob os céus juramentados. Fará surgir, assim, em ti frustrações tão malditas que não seria virtuoso eu permitir tais desventuras em vosso peito. Assim sendo, quero que saibas que amigos, nós seremos sempre, independente de quaisquer vícios que o acaso possa trazer para amaldiçoar-nos.

Para que eu não caia em desventura, perdendo-me perante as leis divinas e as leis dos homens para com vosso coração, tenho dizer-te que nosso relacionamento será apenas pontual. Poderá nós divertir-nos durante a noite que se lá vai inteira. Amantes casuais. Contudo, ao amanhecer voltaremos ao nosso estado habitual no qual levaremos nossa vida adiante que sem por menores haja preocupações com a noite anterior.

Se gostares do momento, ficarei por inteiro honrado em tê-la, novamente, em noite tão nupcial quanto merece dois amantes embebidos de sede de carne. Agora, tenho de ir, respeite assim o caminho que a vida me deste. Que sem perturbações, cobranças e mal-dizeres, tu possas dar-me, que como já disse eu, sou escasso de tempo e muito devo para cumprir minhas obrigações diárias que me concedem o pão do dia e a bem ventura da noite que gozarás com tantos prazeres. Aguarde-me ao levantar da lua, naquele local onde disseste-me outro dia. Encontrarei a ti e far-te-ei uma mulher de muitos regozijos.

Pare. Respire. Pense.
Teu motor, ainda, está quente.
Há um muro em tua frente.
Pare! Que o suado ponteiro do relógio,
seja congelado brutalmente.
Se assim preciso for.
Mas, sinta o silêncio do teu vazio.

Pare. Respire. Pense.
Teu ventilador, ainda, está enguiçado.
Há um vácuo dentro de ti entalado.
Respire! Que o intocável ar de outros,
seja impunemente roubado.
Se assim preciso for.
Mas, sinta o inflar dos teus pulmões.

Pare. Respire. Pense.
Tua mente, ainda, está abalada.
Há uma confusão em ti e mais nada.
Pense! Que a eterna onisciência desperta,
seja por você enganada.
Se assim preciso for.
Mas, sinta a ordem da tua calma.

Tuas palavras, porém, ainda cegas…
Traem mais que teus conselheiros.
Ferem mais que tuas pedras.
Queimam mais que tuas tochas.
Cortam mais que tuas espadas.
Matam mais que teus exércitos.

O calor do vermelho te inflama.
Cega-te por tua carência de razão.
Reveja teus conceitos.
Só assim, a vida será, verdadeiramente, tua.
E as rédeas, de teu caminho, tu retomarás.
Verás que o mundo voltará a te abraçar.

Agora, lembre-se…
Sempre dentro do peito.
A palavra é como a arma.
Uma vez ao gatilho recorrido…
Um eterno trabalho estará feito!
Então… Pare. Respire. Pense.