O doce

sábado, dezembro 19, 2009

O percebi assim que cheguei. Vi por entre os cantos dos olhos um escudo que insistia em entregar-lhe a quem quisesse provar. Mas pisem em suas intenções, pois, ao que lhe cabia, era calmo e leve, sem intenção de se mostrar.

Era perceptível as ousadas marcas das sombras tímidas. Desci esquiando cada traço da topografia umidamente adocicada, de escorrer salivas, de forma lenta e turbulenta. De curvas visivelmente perfeitas à dimensões apropriadas ao consumo. Queria provar aquela calda que já me era palpável. Meus olhos me traíram, saltaram do meu corpo e levianamente caíram naquele abismo de prazer implacável.

A tortura era inegável, a postura eu tenho medo até de pensar, mas era certa a aprovação de todos os presentes, embora fosse desapercebido aos olhos viajantes.

One Comment

  1. Lipe Amorim disse:

    Adorei o texto.
    Erótico, Poético, Implícito e (humm, como dizer?) – Sinestésico.

    ;D
    Espero por mais prosas poéticas, ok.

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